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Da Redação
Em São Paulo
As CPIs dos Correios e do Mensalão aprovaram, por unanimidade, o relatório que propõe a cassação de 18 deputados federais (veja infográfico), entre eles José Dirceu (PT-SP), supostamente envolvidos com esquema de corrupção, o "mensalão". Os parlamentares teriam quebrado decoro parlamentar.
O relatório traz também o nome do ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), que renunciou ao mandato em 1º de agosto.

Da esq. para a dir., Osmar Serraglio, Amir Lando e Delcidio Amaral durante a sessão
Os relatores declararam que há elementos suficientes e graves que indicam que houve quebra de decoro parlamentar e, portanto, passível de perda do mandato dos deputados.
Ao justificar os pedidos de cassação, Serraglio perguntou ao plenário: "É hora de se cortar na própria carne? O povo grita que sim". Ele continuou ainda dizendo que a população brasileira está "desencantada" e que a punição aos deputados é uma "demanda do povo". O relator afirmou ainda que as CPIs optaram por uma "decisão singela e por uma ética política autêntica" para devolver a "esperança" ao povo e fortalecer as instituições democráticas..
DEPUTADOS NA MIRA DAS CASSAÇÕES
Parlamentar
Legenda
Carlos Rodrigues
PL-RJ
João Magno
PT-MG
João Paulo Cunha
PT-SP
José Borba
PMDB-PR
José Dirceu
PT-SP
José Janene
PP-PR
José Mentor
PT-SP
Josias Gomes
PT-BA
Paulo Rocha
PT-PA
Pedro Corrêa
PP-PE
Pedro Henry
PP-MT
Professor Luizinho
PT-SP
Roberto Brant
PFL-MG
Roberto Jefferson
PTB-RJ
Romeu Queiroz
PTB-MG
Sandro Mabel
PL-GO
Vadão Gomes
PP-SP
Wanderval Santos
PL-SP
O relatório foi elaborado por Serraglio em conjunto com o relator da CPI do Mensalão, Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). Eles são categóricos quanto à existência do "mensalão" --compra de apoio parlamentar pelo governo. "O que resta inconteste é o recebimento de dinheiro por parlamentares e dirigentes de partidos que integram a base de sustentação do governo na Câmara dos Deputados", diz o documento, que fez breves resumos sobre os valores que cada parlamentar teriam recebido no esquema.
Os relatores afirmaram que o pagamento está comprovado, mesmo que a periodicidade não esteja definida. Governistas têm dito que os saques não eram mensais, portanto o "mensalão" não existiria. "O fato relevante, do qual não podemos nos afastar, é o recebimento de vantagens indevidas."
O documento reforça as acusações feitas pelo deputado Roberto Jefferson, cuja cassação foi recomendada hoje à tarde pelo Conselho de Ética da Câmara. "Abstraída qualquer consideração sobre sua figura política polêmica, não se pode negar que, semanticamente, suas palavras têm encontrado correspondência nos fatos", diz o texto.
No relatório, Serraglio e Abi-Ackel afirmam que é "fato inexcusável" que o empresário Marcos Valério de Souza tomou empréstimos bancários milionários e os repassou ao PT. Serraglio disse que "a ninguém convence" a versão de que os empréstimos foram feitos "apenas em nome da amizade" entre Valério e Delúbio Soares.
O documento segue, agora, para o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que deverá encaminhá-lo à Corregedoria da Câmara. Lá, o documento é analisado e devolvido para a mesa diretora da câmara, que o remete para o conselho de ética. Caso algum partido subscreva o relatório, como anunciou, por exemplo o PPS, o documento irá direto para o conselho. (Veja como funciona o trâmite da cassação)
Serraglio disse que esta é uma grande oportunidade de o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, encaminhar os processos. "Se ele não o fizer, será atropelado pelos partidos políticos", disse a jornalistas antes da sessão.
Com Agência Câmara