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| EFE |
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| Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, admite fazer caixa dois |

Delcidio Amaral, presidente CPMI dos Correios
BRASÍLIA - O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), comunicou há pouco que chegaram hoje à comissão os documentos oficiais nos quais o deputado José Dirceu (PT-SP); o ex-presidente do PT José Genoino; o tesoureiro licenciado do partido, Delúbio Soares; e o secretário-geral licenciado da legenda, Silvio Pereira, autorizam a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Delcídio informou que já pediu ao Banco Central, à Receita Federal e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que façam a transferência desses sigilos à CPI Mista.
Na semana passada, os quatro integrantes do PT haviam autorizado informalmente a quebra de seus sigilos.
Empresas de Marcos Valério
A CPMI dos Correios aprovou nesta quinta-feira (14) nove requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Foi quebrado o sigilo de empresas ligadas ao empresário Marcos Valério (acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o operador do mensalão) e de sócios e funcionários de Valério.
Os parlamentares também aprovaram o acesso a dados da empresa Skymaster Airlines e de seus sócios. A Skymaster é acusada de envolvimento em licitação fraudulenta nos Correios. Os requerimentos foram todos aprovados por unanimidade, graças a acordo entre os parlamentares.
Todos os requerimentos referem-se a dados dos últimos cinco anos. Foi quebrado o sigilo bancário de contas do empresário Marcos Valério no Banco Rural de Belo Horizonte. Mais um requerimento de quebra de sigilo aprovado refere-se ao sócio de Marcos Valério, Cristiano de Mello Paes.
Também foi quebrado o sigilo bancário, fiscal e telefônico da funcionária do departamento financeiro da SMP & B Geisa Dias dos Santos e do comerciante Alexandre Vasconcelos Castro, acusado de fazer saques de dinheiro em alto valor pela SMP & B. Também foi quebrado o sigilo da empresa S2; do sócio de Marcos Valério Orlando Martins e da secretária Adriana Fantini Martins.
Os senadores e deputados terão ainda informações sobre dados sigilosos de contratos realizados entre os bancos do Brasil, Rural e de Minas Gerais com partidos políticos.
Os parlamentares também decidiram abrir dados sigilosos bancários, telefônicos e fiscais da empresa Skymaster Airlines e dos quatro sócios da empresa: João Marcos Pozzetti, Hugo César Gonçalves, Luiz Otávio Gonçalves e Américo Proietti.
Azelma Rodrigues
Valor Online
SÃO PAULO - O ministro Luiz Gushiken, da secretaria de Comunicação da Presidência da República, perdeu o status de ministro. Sua secretaria deixa de responder à Presidência e passa ser comandada pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil.
A informação foi dada pelo porta-voz André Singer, que anunciou outras mudanças, mas informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só vai completar a reforma ministerial na próxima segunda-feira. (Veja abaixo quadro com as mudanças já confirmadas nos ministérios)

Luiz Gushiken perde status de ministro
Segundo Singer, os atuais ministros Eduardo Campos, Aldo Rebelo e Romero Jucá retornam ao Congresso. O ministro da Educação Tarso Genro deixa o cargo no dia 27 para cuidar da nova função, de presidente do PT.
O atual dirigente da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), Sérgio Rezende, do PSB, será o novo ministro de Ciência e Tecnologia. O ministro Jaques Wagner vai comandar a nova secretaria especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Relações Institucionais, acumulando a função de coordenação política.
Outra modificação é na secretaria especial de Direitos Humanos, que passa a ser vinculada ao ministério da Justiça. O atual titular, Nilmário Miranda, também perdeu status de ministro e pediu licença para se candidatar em 2006.
Veja, a seguir, a tabela com as mudanças de ministros:
MINISTÉRIO
QUEM SAI
QUEM ENTRA
Educação
Tarso Genro
Fernando Haddad
Casa Civil
José Dirceu
Dilma Roussef
Minas e Energia
Dilma Roussef
Silas Rondeau
Saúde
Humberto Costa
Saraiva Felipe
Comunicações
Eunício Oliveira
Hélio Costa
Trabalho
Ricardo Berzoini
Luiz Marinho
Direitos Humanos
Nilmário Miranda
Perdeu status de Ministério
Ciência e Tecnologia
Eduardo Campos
Sérgio Rezende
Previdência
Romero Jucá
A ser anunciado
Articulação Política
Aldo Rebelo
Jacques Wagner
LEONARDO SOUZA
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O empresário mineiro Marcos Valério de Souza escondeu da Receita Federal R$ 1,318 milhão em sua declaração de renda de 2003, referente ao ano de 2002. Por conta das irregularidades detectadas, a Receita deve abrir procedimento fiscal contra ele nos próximos dias, segundo a Folha apurou. O publicitário não foi localizado durante a sexta-feira para comentar o assunto.
Quando preencheu sua declaração de renda de 2003, Valério omitiu da Receita a propriedade de dois terrenos, uma sala comercial e uma casa que, somados, valeriam R$ 225.319, de acordo com os dados que ele próprio prestou no ano seguinte. Valério também escondeu aplicações no valor de R$ 959.843 no Banco Alfa e elevou sem explicação aparente em R$ 133.200 as cotas que detém na agência de publicidade SMPB Comunicação.
Em 2003, Valério declarou possuir em 2002 R$ 3,891 milhões, em conjunto com sua mulher Renilda Santiago e seus dois filhos. Em 2004, quando preencheu a declaração referente a 2003, o publicitário declarou patrimônio de R$ 6,714 milhões.
Patrimônio do ano anterior
Ao preencher a declaração de renda, o contribuinte, além de discriminar os bens referentes ao ano anterior, tem também de relacionar o patrimônio que detinha dois anos antes. Assim, quando declara 2004, referente a 2003, é obrigado a relacionar as posses que tinha em 2002. Essa exigência é para que a Receita Federal possa comparar a evolução patrimonial dos contribuintes de um ano para o outro.
Quando Valério declarou 2004, ele refez a coluna de 2002. Desse modo, não mais informou possuir R$ 3,891 milhões naquele ano, como havia feito em 2003, mas sim R$ 5,209 milhões.
Os sistemas da Receita Federal não identificam essa alteração na declaração patrimonial de um ano para o outro. O contribuinte cai na malha fina quando declara rendimentos divergentes do que o empregador informa à Receita, por exemplo.
Outra hipótese levantada pelos auditores fiscais que investigam Valério é que ele realmente não possuísse em 2002 os bens que só veio informar à Receita em 2004. É possível que ele os tenha adquirido (ou recebido, no caso das aplicações financeiras) em 2003. Assim, teria incluído os dados na coluna de 2002 para não apresentar variação muito grande de um ano para o outro.
Pessoas jurídicas
Os problemas de Valério com a Receita Federal como pessoa física são pequenos diante dos enfrentados por suas empresas. Conforme a Folha publicou na semana passada, a Receita em Belo Horizonte detectou depósitos milionários de origem não comprovada nas contas da DNA Propaganda e movimentação financeira incompatível com a receita da agência de publicidade.
Por ter identificado crimes contra a ordem tributária, a Receita multou a DNA em R$ 63,25 milhões em novembro do ano passado. A DNA é uma das principais empresas nas quais Valério tem sociedade.
A suspeita das autoridades envolvidas na investigação é que o dinheiro não justificado venha de caixa dois. No ano passado, ingressaram na conta corrente da DNA no Banco do Brasil mais de R$ 268 milhões.
Além desse procedimento fiscal, a DNA tem pelo menos mais seis processos na área tributária e dois na previdenciária pelo não recolhimento de tributos, segundo entendimento dos órgãos federais. A empresa contesta todas as ações, tanto na Justiça quanto na esfera administrativa.
Segundo o entendimento de fiscais da Receita, a agência foi autuada por irregularidades no recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, IR retido na fonte não repassado ao governo, além de problemas relacionados a PIS e Cofins.