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PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília
O Palácio do Planalto confirmou hoje a indicação de três ministros do PMDB, mas deixou o restante da reforma ministerial para anunciar só na sexta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna de viagem à Escócia, onde participa da reunião do G8.
Conforme foi amplamente adiantado, o senador Hélio Costa (PMDB-MG) vai mesmo para o Ministério das Comunicações e o atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para Minas e Energia. O deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) será o titular do Ministério da Saúde.
A posse dos novos ministros também está marcada para sexta-feira, no Palácio do Planalto.
A reforma teve por objetivo ampliar a participação do PMDB no governo e reforçar o campo de forças políticas no que pode ser considerada a pior crise política da atual gestão.
A reforma é interpretada como uma reação à crise política e portanto, não deve parar nessas três pastas: pode envolver inclusive o Banco Central, cargos do segundo escalão e as diretorias das principais estatais. A ordem é tirar do governo agora todos aqueles tenham sido citados em denúncias de corrupção.
Lula também aproveitará para substituir todos os integrantes do governo que queiram disputar algum cargo eletivo em 2006.
Estatais
Ao anunciar os nomes dos novos ministros, o porta-voz da Presidência, André Singer disse que o presidente agradece os serviços prestados ao país pelos ministros Humberto Costa (Saúde), Eunício Oliveira (Comunicações) e Maurício Tolmasquim, que assumiu interinamente o Ministério de Minas e Energia após a transferência de Dilma Rousseff para a Casa Civil.
O porta-voz não soube informar, no entanto, se a nova etapa da reforma ministerial prevista para sexta-feira incluirá mudanças nas estatais. Os presidentes da Infraero, Carlos Wilson, e da Petrobras, José Eduardo Dutra, já comunicaram ao presidente Lula que serão candidatos em 2006, mas não está definido se eles deixarão o governo agora.
Pela manhã, o presidente recebeu na granja do Torto o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, o líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante e os presidentes do BNDES, Guido Mantega, e do Banco do Brasil, Rossano Maranhão.
Oficialmente, a pauta da reunião foi crise na agricultura. Questionado se a presença de Berzoini no encontro estaria relacionada à possibilidade de seu retorno ao Congresso, dando lugar ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, Singer disse que o presidente não fez nenhum comentário sobre as demais alterações no ministério.
Ele também não soube informar se a participação do PMDB ficará limitada aos três ministros anunciados hoje. O partido pressionava Lula por uma quarta pasta, mas a divisão do partido no apoio ao governo deverá dificultar essa nova indicação.
O presidente embarca hoje às 15 horas para a Escócia, onde participará de reunião com o G8 [grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia] para discutir alternativas para o fim da pobreza na África e mudanças climáticas causadas pela poluição.
De acordo com auxiliares do presidente, ele estuda ainda oferecer um ministério ao PP.
FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília
O relator da CPI mista dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ser inevitável convocar o presidente do PT, José Genoino, e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para depor na comissão sobre o empréstimo de R$ 2,4 milhões em favor do PT tendo como avalista o publicitário Marcos Valério.
Serraglio argumenta que, em função dos contratos firmados entre as empresas de Marcos Valério e os Correios, a relação com os dirigentes petistas deve ser investigada pela CPI dos Correios.
"Eles [Genoino e Delúbio] assinaram um contrato com fornecedora dos Correios, por isso precisamos investigá-los", afirmou. "Não é um caso de vida ou morte, mas a CPI não tem restrição a ninguém", acrescentou.
A oposição apresentará requerimentos para convocar Genoino e Delúbio logo no início da sessão da CPI desta terça-feira, mas a votação deve ocorrer somente à tarde, quando o presidente da comissão, Delcidio Amaral (PT-MS), deve voltar a Brasília depois da reunião da Executiva do PT em São Paulo.
Depoimentos
Dois dos depoimentos de hoje serão secretos. O primeiro deles, do agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Edgar Lange, será fechado à imprensa a pedido da própria agência. O depoente estaria na sede dos Correios no último dia das gravações e a oposição suspeita que ele investigava o caso de corrupção na estatal.
O segundo depoimento fechado será de Jairo Martins, de quem teria sido alugado o material para fazer as filmagens nos Correios. O relator da CPI explicou que o depoente estaria sendo ameaçado e preferia não ser identificado. Jairo Martins foi convocado para a semana passada, mas pouco antes da hora de depor, seu advogado enviou um fax para a CPI, adiando a data da convocação.
Serão abertos, portanto, apenas os depoimentos de José Fortuna Neves, e Kasser Bittar. Neves é ex-agente do SNI (Sistema Nacional de Informações) e afirmou à Polícia Federal que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investigava os Correios a pedido da Casa Civil. Outro que irá falar em sessão aberta será Kasser Bittar, que teria apresentado o empresário Arthur Wascheck, mandante das gravações, e Jairo Martins.
Na quarta-feira, os depoimentos mais esperados: Marcos Valério Fernandes de Souza, publicitário de Belo Horizonte que é avalista do PT e é apontado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) como o principal operador do esquema do "mensalão", e Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Valério que, em entrevista à imprensa, afirmou que seu ex-chefe carregava malas de dinheiro quando se encontrava com integrantes do PT.