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ANDRÉA MICHAEL
RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo
Uma segunda fita de vídeo, ainda inédita, indica que um dos contatos no PTB do ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho era o genro do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), Marcus Vinicius Vasconcelos Ferreira, ex-assessor da diretoria da Eletronuclear no Rio de Janeiro.
Na gravação, obtida pela Folha, Marinho reafirma que integra um suposto grupo de prepostos do PTB nos Correios, composto por ele, pelo ex-diretor de Administração Antônio Osório Menezes Batista e pelo ex-assessor-executivo dessa diretoria Fernando Godoy. O trio teria como padrinho político o deputado Jefferson e arrecadaria recursos para o PTB como resultado de negócios firmados pelos Correios.
Na gravação, o interlocutor pergunta a Marinho quais eram seus contatos no PTB. Ele responde: "Roberto ou com o genro dele". Em seguida, cita o nome dele: "É, o Marcus Vinicius".
Marinho também faz referência a um outro parlamentar na conversa, Nelson Marquezelli (PTB-SP), que teria "contato bom" com Fernando Godoy. Marinho não relacionou diretamente Marquezelli ao recebimento de propina.
Em outro trecho da conversa, o interlocutor pergunta a Marinho como seria possível acertar um valor que incluísse a diretoria de Administração da empresa.
"Normalmente é feito isso, todo negócio é acertado... Tem algo que sobe, né, e um "xis" que fica embaixo. Isso é acertado assim. Mas aí eu preciso da orientação deles", responde Marinho.
O vídeo de 55 minutos de duração foi gravado, a exemplo do primeiro já divulgado pela revista "Veja", na sala de Marinho, no primeiro andar do edifício-sede dos Correios.
O interlocutor de Marinho é o bacharel em direito Joel Santos Filho. Radicado em Curitiba, ele teria sido contratado pelo empresário Artur Wascheck Neto para fazer a gravação da propina.
O objetivo era implodir um suposto esquema de corrupção nos Correios. O resultado, no entanto, foi muito mais impactante do que o esperado, porque Marinho, à vontade, fez considerações sobre políticos envolvidos no suposto esquema.
Preso
Santos Filho foi preso na última quinta-feira pela Polícia Federal. Confessou ter se apresentado a Marinho como empresário sob o codinome "Julio Goldman", que representaria os interesses de uma empresa estrangeira interessada em ingressar no mercado nacional, a "GE", com o nome fantasia de "All Comm" -que agora a PF sabe ser fictícia.
No diálogo gravado, Marinho faz afirmações que comprometem a versão que ele até agora apresentou para o episódio, de que teria recebido R$ 3.000 de "Goldman" como um adiantamento para um serviço futuro de consultoria, cujo cliente seria a empresa estrangeira.
No meio da conversa, Marinho chama para seu gabinete um servidor dos Correios identificado apenas como "Eduardo". Segundo Marinho, o servidor seria um técnico lotado no departamento apenas para avaliar licitações de serviços de informática.
Ao apresentá-lo a "Goldman", Marinho afirma: "O foco aqui é o kit". Na época, os Correios preparavam uma licitação para aquisição de kits de informática avaliada em US$ 56 milhões.
Em seguida, afirma que é necessário "sentar, conversar para a gente dar uma abertura nessa capilaridade" que a suposta empresa estrangeira teria no Brasil. Marinho faz menções a futuras licitações na área de informática dos Correios. Sugere que Eduardo e "Goldman" conversem entre si, que seja criada "uma conversa em outro nível" para se fazer "uma mapeada dos principais produtos e serviços" que a empresa poderia oferecer aos Correios.
Marinho explica a Eduardo: "Eu coloquei aqui, Osório, Godoy, eu, nós estamos num partido, e você. O nosso quadro é fechado, não tem problema. As conversas a gente vai evoluir, direto com diretoria, presidência, não tem problema".
O ex-chefe do departamento de contratações parece estar ansioso para dar início às negociações. "Isso tem que ser realmente urgente, porque está mudando. De hoje até quarta da semana que vem, devem mudar uns três diretores. Pode até o presidente. A gente precisa estar conversando logo nesse início de nova gestão, vamos dizer assim", diz Marinho.
Segundo o ex-chefe do Decam, estava "previsto" que o PP (Partido Progressista) assumisse o Ministério das Comunicações, o que provocaria uma reação em cadeia no comando dos Correios.
Da Redação
Com Agências
Quatro índices de inflação divulgados nesta sexta-feira apresentaram desaceleração e até deflação.
O mais importante, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, foi de 0,49% em maio, o menor nível dos últimos sete meses, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,30% na primeira prévia de junho.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo avançou 0,19% na primeira medição deste mês. Isso significa quase metade da inflação apurada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em maio, quando o índice alcançou 0,35%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou alta de 0,70% em maio. O resultado é inferior ao de abril, quando a variação foi de 0,91%.
A perda de força da inflação pode ser uma pressão para o Banco Central reduzir as taxas de juros. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, que decide sobre o assunto, é na próxima semana.
Inflação oficial
O IPCA mostrou que a inflação no Brasil foi de 0,49% em maio, praticamente igual ao 0,51% do mesmo mês do ano passado.
O índice de maio foi praticamente a metade do 0,87% medido em abril deste ano e não era tão baixo desde o 0,44% de outubro de 2004.
A inflação acumulada nos cinco primeiros meses do ano chegou a 3,18%, superior aos 2,75% acumulados entre janeiro e maio de 2004.
A taxa acumulada em cinco meses, no entanto, já supera a metade dos 5,1% que o governo estabeleceu como meta para o ano todo. A meta oficial tem uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais, por isso o índice anual pode chegar a 7,6%.
A inflação no Brasil no ano passado foi precisamente de 7,6%, 2,1 pontos acima da meta de referência, mas não chegou a superar a margem de tolerância.
O índice de preços do IBGE, utilizado como referência pelo governo para determinar a inflação nacional e fixar suas metas, mede a variação de preços nas nove maiores cidades do país para famílias com rendas equivalentes a entre US$ 121 e US$ 4.838 mensais.
Deflação
O IGP-M teve deflação de 0,30% na primeira prévia de junho. Em maio, a primeira apuração do índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) havia indicado recuo de 0,03%.
Na primeira parcial de abril, o Índice de Preços ao Atacado (IPA), que representa 60% do índice geral, mostrou recuo de 0,79%. Na mesma medição em maio, o IPA havia recuado 0,40%.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador, marcou alta de 0,08% na primeira prévia de junho, contra avanço de 0,72% na primeira parcial de maio. Os grupos Alimentação e Transporte tiveram desaceleração no ritmo de aumento.
O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), representativo de 10% do IGP-M, ficou positivo em 2,10% (ante 0,57% da primeira medição de maio), puxado pelos reajustes salariais em quatro capitais.
O IGP-M é apurado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte e é utilizado para contratos do mercado financeiro
Em São Paulo
A primeira parcial de junho do IPC no município de São Paulo caiu quase pela metade, em relação a maio: foi de 0,35% para 0,19%.
Saúde teve o principal incremento, de 0,56%, menor do que o apresentado no fim do mês passado, quando verificou aumento de 0,84%. Despesas Pessoais avançaram 0,46%, Vestuário subiu 0,24% e Habitação verificou alta de 0,19%.
Alimentação, por sua vez, registrou acréscimo de 0,16%, inferior aos 0,68% de maio. Educação apurou o menor crescimento, de 0,09%, quase parecido com o 0,08% do último mês. Transportes, que fecharam maio com variação positiva de apenas 0,01%, caiu 0,16% no levantamento da Fipe divulgado nesta manhã.
O IPC reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. A Fipe faz medições quadrissemanais. A inflação de uma quadrissemana corresponde ao período de um mês (por exemplo, 8 de maio a 7 de junho), comparado com as quatro semanas imediatamente anteriores.
INPC
O INPC teve alta de 0,70% em maio. Nos cinco primeiros meses, o indicador acumula elevação de 3,39% e, nos 12 meses encerrados em maio, de 6,93%.
O INPC é calculado entre as famílias com renda mensal até oito salários mínimos nas nove maiores regiões metropolitanas do país. O maior índice regional de abril foi registrado em Recife (1,61%). O menor resultado regional ocorreu em Goiânia (deflação de 0,11%). Rio de Janeiro teve variação positiva de 1,25% e São Paulo, de 0,55%.
PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília
O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, confirmou à Folha Online a demissão de toda a diretoria dos Correios e do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil).
Ambos os órgãos são citados em denúncias recentes de corrupção no governo federal. Gravação revelada pela revista "Veja" mostra o executivo Maurício Marinho, dos Correios, negociando propina com empresários interessados em participar de uma licitação.
O funcionário dos Correios dizia ter o respaldo do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), que denunciou, em entrevista à Folha, um suposto esquema de pagamento de mesada de R$ 30 mil a deputados da base aliada em troca de apoio político.
No caso do IRB, reportagem da "Veja" afirma que Jefferson exigia, por meio da corretora Assurê, de um amigo, R$ 400 mil de Lídio Duarte, então presidente do IRB, indicado pelo PTB.
Segundo o ministro das Comunicações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu na manhã desta terça-feira a ele e ao ministro Antonio Palocci (Fazenda) "uma solução definitiva para o IRB e os Correios".
Os ministros estiveram reunidos com o presidente Lula hoje de manhã. Segundo o ministro, apesar da crise que o governo enfrenta, o presidente pareceu tranqüilo. Eunício disse ainda que ele e Palocci trocaram "idéias".
Após a reunião, Eunício conversou com o presidente do Correios, o ex-deputado federal João Henrique de Almeida Sousa, do PMDB do Piauí. A diretoria das duas estatais colocaram seus cargos à disposição, segundo relato do ministro.
De acordo com Eunício, no Caso dos Correios, a solução de novos nomes para diretoria deverá ser "mais técnica do que política". Ele não adiantou, no entanto, quando os novos nomes serão definidos.
Além do presidente, deixaram os Correios os diretores Carlos Eduardo Fioravanti da Costa, Eduardo Medeiros de Moraes, Ricardo Caddah e Robinson Koury Viana da Silva. O outro diretor da estatal, Antonio Osório Menezes da Silva, já havia se afastado da diretoria logo após das primeiras denúncias de corrupção envolvendo a estatal.
De acordo com a assessoria dos Correios, a decisão de afastamento da diretoria, encaminhada por meio de ofício hoje ao ministro, foi um ato político e não administrativo.