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da Folha Online
O presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, suspendeu o estado de emergência em Quito (capital) na noite deste sábado após fortes protestos.
Em um pronunciamento pela TV, Gutierrez disse que anulava o decreto, o qual suspendia as liberdades individuais, porque "obteve seu principal objetivo que era a dissolução da Suprema Corte".
Gutiérrez declarou estado de emergência no país e dissolveu a Suprema Corte nesta sexta-feira alegando que juízes impopulares eram a causa de protestos nas ruas da capital.
"Normalidade"
O presidente disse que a "normalidade" está retornando ao país e pediu que o Congresso discuta o mais rápido possível um projeto de reforma do judiciário.
"Esperamos que, no menor tempo possível, o Equador tenha a melhor Suprema Corte de toda sua história", afirmou Gutiérrez, que não aceitou responder perguntas de jornalistas.
O anúncio do decreto gerou protestos na capital do país. Hoje, milhares de pessoas fizeram uma manifestação pacífica em Quito ao som de buzinas de carros e aos gritos de "Fora, Lucio!" e "Democracia sim, ditadura não!".
O presidente do Congresso do Equador, Omar Quintana, anunciou mais cedo a convocação de uma sessão extraordinária no domingo para analisar a crise política e jurídica no país.
Crise
O Equador está imerso em uma crise política e jurídica desde o dia 8 de dezembro passado, quando uma maioria governista no Congresso reestruturou a Suprema Corte de Justiça, medida essa que foi qualificada imediatamente pela oposição de ilegal e inconstitucional.
A crise se agravou quando os novos juízes da Suprema Corte anularam os processos contra os ex-presidentes equatorianos Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa e o ex-vice-presidente Alberto Dahik.
A oposição diz que a reestruturação do tribunal constitui interferência do Executivo no Poder Judiciário e acusa o presidente de buscar poderes ditatoriais. Gutiérrez se defende dizendo que as mudanças foram feitas dentro da lei.
Marcius Azevedo
Em São Paulo
O inferno brasileiro do zagueiro Leandro Desábato chegou ao fim, pelo menos por enquanto, às 19h05 desta sexta-feira, quando o avião conduzindo parte da delegação do Quilmes decolou em São Paulo rumo a Buenos Aires. No entanto, o jogador argentino, acusado de injúria contra o são-paulino Grafite, deve voltar ao país para responder pelo caso em 30 dias.
No vôo que leva Desábato para casa, viajam mais 14 jogadores do Quilmes. A outra parte do elenco embarca no final da noite desta sexta. Dirigentes e o material esportivo do clube voltam para Buenos Aires apenas na manhã de sábado.

Argentino Desábato deixa o 13º DP na tarde desta sexta-feira em São Paulo
A delegação do Quilmes chegou ao aeroporto internacional de Guarulhos pelo portão 3 e, com o auxilio de policiais federais, conseguiu acesso à sala vip sem passar pela imprensa, que aguardava os jogadores junto à área de embarque.
Segundo Carlos Alberto Mendes, advogado de Desábato no Brasil, inicialmente o jogador pode ficar ausente do país por 30 dias. O período pode ser renovado, em caso de aceitação da Justiça.
Após passar duas noites detido, o zagueiro argentino foi liberado no começo da tarde desta sexta-feira. Com o pagamento da fiança de R$ 10 mil estipulada pela Justiça, o jogador do Quilmes pôde deixar o 13º Departamento de Polícia, no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo (Desábato havia dormido de quarta para quinta no 34º DP).
Depois do pagamento da fiança, Desábato foi submetido a exames de praxe por profissionais do IML (Instituto Médico Legal), que foram ao 13º DP. Em seguida, o zagueiro deixou a delegacia rumo ao fórum da Barra Funda, onde passou por breve encontro com oficiais de Justiça, para assinar o termo de compromisso para retornar ao Brasil para participar do desenrolar do inquérito.
Desábato deve ser poupado pelo Quilmes da rodada do Torneo Clausura (Campeonato Argentino) no próximo domingo, na partida contra o River Plate. Devido ao atraso da delegação no Brasil, o confronto válido pela nona rodada da competição pode ser disputado na segunda-feira.
Caso Desábato-Grafite
O argentino Leandro Desábato foi detido no estádio do Morumbi pouco depois do final da partida entre São Paulo e Quilmes pela Copa Libertadores da América. Acusado pelo atacante são-paulino Grafite de ato de racismo, o jogador estrangeiro foi encaminhado ao 34º DP, onde passou sua primeira noite na cadeia.
Durante a noite, Desábato permaneceu em uma sala da delegacia e, segundo as autoridades policiais, não dormiu, mas se alimentou normalmente.
QUEM É O ARGENTINO

Nascimento: 24/01/1979
Local: Cafferatta (ARG)
Altura: 1,86 m
Peso: 82 kg
Posição: Zagueiro
Clubes: Quilmes, Estudiantes de La Plata e Olimpo
Na tarde de quinta, a transferência para o 13º Distrito Policial foi pedida para preservar a segurança do jogador, que fez o percurso entre as delegacias algemado na viatura policial.
Desábato foi indiciado pelo crime de injúria, com agravante em discriminação racial, após ter xingado Grafite durante a partida de quarta no Morumbi.
Na quinta, Grafite afirmou que aceita o pedido de desculpas de Desábato. No entanto, o atacante brasileiro assegura que não irá retirar a queixa que deu início ao imbróglio na quarta à noite.
Na manhã desta sexta, o vice-presidente do Quilmes tentou visitar Desábato, com frutas e roupas, mas pela legislação brasileira só advogados e parentes próximos podem fazer visitas. Diante da negação, os argentinos ficaram exaltados e discutiram com policiais.
"Ele está como qualquer homem decente num calabouço. Não está bem. Entendemos que é um incidente internacional. Na Argentina, a sensação é que está se cometendo uma grande injustiça com o jogador", declarou Julio Garcia, dirigente do Quilmes.
"Na realidade, não havia necessidade de se armar este circo. Nem de prender o jogador em campo. Isso não devia sair da esfera esportiva. As pessoas que criaram isso não imaginavam a repercussão que ia dar. Nem o próprio Grafite", comentou Carlos Alberto Mendes, advogado de Desábato.
da Folha Online
Policiais federais realizam nesta quinta-feira em Goiás uma operação para prender acusados de envolvimento com tráfico de mulheres para prostituição. Batizada de Castanhola, a operação também é realizada em Portugal e na Espanha.
Segundo a Polícia Federal, os mandados de busca e prisão devem ser cumpridos em Anápolis e em Goiânia. Ao menos seis pessoas já foram presas.
Em outubro do ano passado, o Ministério da Justiça lançou, em Goiânia, a Campanha de Combate ao Tráfico Internacional de Seres Humanos. Segundo o ministério, Goiás foi eleito para o lançamento da campanha, promovida também pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, por ser um dos principais pontos de partida de mulheres ao exterior para fins de exploração sexual
PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) decidiu hoje aprovar a destituição do Opportunity da administração dos fundos que controlam as operadoras de telefonia Brasil Telecom, Telemig Celular e a Tele Norte Celular (conhecida como Amazônia Celular).
O Citigroup, maior grupo financeiro do mundo e que questionava o controle das teles pelo Opportunity, já havia obtido na Justiça dos EUA a sua destituição como gestor dos investimentos do grupo no início de março.
O juiz substituto da 18ª Vara Civil de Brasília, Marcelo Tadeu de Assunção Sobrinho, entretanto, havia concedido liminar à Brasil Telecom condicionando a substituição do Opportunity na gestão do fundo a uma autorização expressa da Anatel.
Hoje a agência deu seu aval à substituição. O conselheiro relator do processo na Anatel, José Leite Pereira Filho, explicou que a mudança nos gestores dos fundos que controlam as três teles não se caracteriza como mudança no controle das operadoras. Por isso a alteração foi aprovada sem restrições.
'Os sócios continuam exatamente os mesmos', disse Leite ao explicar que o Opportunity será substituído pelo Citigroup Venture Capital International Brazil LCC como gestor do fundo internacional, e pela Angra Partners Consultoria Empresarial e Participações Ltda como administrador do fundo nacional, que controla as teles.
Fundos mais fortes
O conselheiro avaliou que a mudança dos gestores vai promover uma 'repactuação de forças dentro dos acordos de acionistas' das empresas em questão.
Em substituição ao Opportunity, o novo gestor dos investimentos do Citigroup nas teles também será o Angra Partners, constituído pelos fundos de pensão Previ, Telos, Funcef e Petros.
Ontem um dos diretores da Angra Partners, Alberto Güth, que esteve reunido com o ministro Euníco Oliveira Comunicações), informou que a intenção do Citi e dos fundos é reassumir o controle para vender os ativos que possuem nas operadoras no futuro.
Isso porque a Anatel incluiu em sua decisão a aprovação de alterações nos acordos de acionistas das empresas. 'Mudou o poder de mando dos acionistas. Uns vão mandar mais que os outros', disse.
Leite explicou que essas mudanças são decorrentes da alteração nos gestores dos fundos que controlam as teles. Segundo o conselheiro, somente a mudança do gestor não promove alteração imediata nas empresas, o que irá ocorrer somente após a realização de assembléias gerais de cada operadora. A partir da realização dessas assembléias poderão ser indicados novos diretores e conselheiros de administração para as empresas.
Portanto, a atual presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, indicada pelo Opportunity, continua no cargo até a realização das assembléias.
'Os gestores estão em um nível elevado da cadeia societária', disse Leite ao informar que é preciso mudar os acordos de acionistas em todas as empresas que integram o controle até chegar às operadoras. 'O gestor é um empregado da empresa', disse Leite ao explicar que dono da empresa pode mudar o gestor quando quiser.
O presidente da Anatel, Elifas do Amaral, foi voto divergente no conselho diretor que aprovou a destituição do Opportunity. Segundo o conselheiro relator, a intenção do presidente era aprovar apenas a troca do gestor do fundo internacional, deixando para depois a apreciação as substituições no fundo nacional e mudanças no acordo de acionistas.
Dantas
Esse é o segunda revés importante sofrido nesta semana pelo banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Segundo seu advogado, Nélio Machado, hoje Dantas receberá intimação para depor na Polícia Federal sobre seu possível envolvimento no chamado 'Caso Kroll'.
A PF suspeita que a empresa norte-americana Kroll Associates tenha sido contratada por Dantas e pela presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, para investigar a Telecom Italia, empresa que disputa com o Opportunity o controle da Brasil Telecom.
A investigação teria atingido funcionários do primeiro escalão do governo, como o ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb. A Kroll teve acesso a e-mails do ministro antes de ele assumir a pasta. Já Casseb foi monitorado antes e depois de assumir o cargo.
Cico depôs ontem em Brasília. Ela foi indiciada por formação de quadrilha, divulgação de segredo e corrupção ativa.
O advogado de Dantas e Cico, Nélio Machado, afirmou ontem que 'muito provavelmente' Dantas será indiciado pelos mesmos crimes. Machado criticou a condução das investigações e disse que elas foram feitas de modo 'arbitrário e ilegal'.
da Folha Online
A polícia militar apreendeu duas pistolas 9 milímetros e sete celulares após o fim da rebelião no CDP (Centro e Detenção Provisória) de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), que terminou hoje com um detento decapitado após cerca de quatro horas de motim.
O prisioneiro morto --que teve também o corpo incendiado-- foi identificado como Edvaldo Cândido Moizés e estava preso por homicídio. Ele estava no CDP de Itapecerica da Serra desde o último dia 29, quando foi transferido do CDP 2 de Pinheiros (na zona oeste de São Paulo).
Um acerto de contas entre os detentos seria a causa do motim. Segundo informações do 25º Batalhão da PM, Moizés era o alvo dos rebelados. Ele teria assassinado membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) e foi morto por vingança.
Por volta das 12h30, os presos se rebelaram e fizeram sete funcionários como reféns --eles foram trancados em uma cela, mas não foram feridos. Em seguida, os rebelados retiraram Moizés e um preso identificado como Robson Roberto, que sofreu escoriações leves, do "seguro" (lugar onde ficam os ameaçados de morte).
Eles foram levados para o pátio do CDP, onde Moizés foi decapitado e teve seu corpo queimado. Os presos também colocaram fogo nos colchões.
Durante a rebelião, cerca de 300 familiares de presidiários estavam no CDP. Eles foram impedidos de sair até as 17h. Conforme a PM, nenhum parente ficou ferido.
A cadeia tem capacidade para 768 presos, mas no local há 1.305, segundo a assessoria de imprensa da secretaria.
Uma sindicância será aberta pela Corregedoria da Secretaria da Administração Penitenciária para investigar como as armas e os celulares entraram na unidade.
Pinheiros
No dia 17 de abril, dois agentes do CDP 1 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) foram mortos durante uma rebelião.
Após uma revista, que contou com o apoio da tropa de choque da Polícia Militar, foram apreendidas duas armas de fogo calibres 380 e 40, munição, uma granada, sete facas com lâminas de até 30 centímetros e seis barras de ferro. Foram encontrados 23 celulares, quatro fones de ouvido, cinco baterias e 25 carregadores. Três cachimbos usados no consumo de drogas também foram apreendidos.