Brasileira sobrevivente do Aconcágua é resgatada
da Folha Online
A jornalista brasileira Rita Bragatto, 34, que entrou em choque durante escalada no monte Aconcágua, na Argentina, foi resgatada neste sábado de helicóptero e levada até Plaza de Mulas (4.350 metros) para receber atendimento médico emergencial.
Ela foi encontrada com sintomas de desidratação e congelamento, segundo informou Leopoldo León, diretor de Recursos Naturais Renováveis da Província de Mendoza, onde se ergue o Aconcágua.
As equipes de resgate devem subir novamente ao pico neste sábado para retirar o corpo do marido de Rita, o brasileiro Eduardo Silva, 40. Ele morreu sexta-feira, 12 horas depois de ter chegado ao topo do Aconcágua (6.959 metros), informou a imprensa local.
O corpo será recolhido assim que as condições do tempo no lugar melhorarem.
"O problema é que eles estavam sem guia", disse León, destacando que o fato de ter chegado ao topo da montanha de noite também podia ter sido uma das causas da morte do dentista.
O casal morador de Sorocaba (SP) alcançou o cume mais alto da América às 23h (horário local) de quinta-feira e desceu 200 metros até a chamada Canaleta, onde parou para descansar, pois já notavam sinais de congelamento, informou o jornal "Los Andes de Mendoza".
O guia norueguês Lars Oslo, que subia a montanha com um grupo, encontrou os alpinistas brasileiros na sexta-feira, no mesmo local, e avisou por rádio os guardas-florestais e a patrulha de resgate. Os grupos de salvamento subiram para ajudar o casal, mas Eduardo Silva já apresentava complicações que o levaram à morte, supostamente por parada cardíaca, pouco antes de chegar ao acampamento "Berlim", a 6.100 metros de altura.
Com este episódio, já são duas as vítimas do Aconcágua nesta temporada. A primeira foi a alemã Petra Ilg, que caiu no Glaciar dos Polacos em 29 de novembro passado.
- Postado por: Crash às 10h38 PM
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Ásia pode provar ou negar solidariedade humana
Bob Herbert Em Nova York
NYT Image
 Bob Herbert é colunista
| Em um momento, as crianças brincavam e riam na praia, gritando e correndo atrás uma da outra, suando sob o sol quente e brilhante. No momento seguinte, elas desapareceram.
O mundo está acostumado a histórias de terror, mas não na escala apavorante dos relatos macabros que nos chegam da vasta zona de morte no Sul da Ásia, atingida pelo tsunami. Einstein insistia que Deus não jogava dados com o mundo, mas esta pode ser uma idéia difícil para os indivíduos aflitos, que viram tudo que construíram na vida ser varrido em um instante sem sentido.
O número de mortos até agora, cerca de 150 mil pessoas, é mais do que o dobro do número de soldados americanos mortos em todos os anos da Guerra do Vietnã. Não apenas famílias inteiras, ou famílias estendidas, mas comunidades inteiras foram consumidas pelas águas que se ergueram sem alerta para destruir dezenas de milhares de pessoas que não estavam fazendo nada a não ser vivendo suas vidas cotidianas.
No dia 28 de dezembro, The New York Times publicou uma foto de página inteira de um necrotério improvisado no sul da Índia. Ela certamente capturava o horror. Parecia para todo o mundo como um playground de areia coberto de crianças mortas.
A imaginação empalidece ao lado da realidade esmagadora da tragédia. Havia, por exemplo, as multidões tomadas pela dor, revirando escombros e lama, olhando para os rostos dos gravemente feridos, perambulando em meio à pilhas de corpos em decomposição, em busca de entes queridos.
O jornal "The Boston Globe" citou um jovem cuja namorada estava entre as mais de 800 pessoas mortas quando um trem que transportava banhistas no Sri Lanka foi atingido por uma muralha de água de 9 metros, que o ergueu dos trilhos e o arremessou em um pântano. "Este é o destino que planejamos?" chorava o jovem. "Minha querida, você era minha única esperança."
Talvez um terço dos mortos era crianças. Muitas foram arrastadas diante dos olhos horrorizados de pais impotentes. "Meus filhos! Meus filhos!" gritava uma mulher no Sri Lanka. "Por que a água não me levou?"
As ondas assassinas, que avançaram com velocidade feroz por uma extensão sem precedente de paisagem global, arremessaram suas vítimas com uma aleatoriedade impossível de compreender. Pessoas nas habitações à beira-mar foram parar em árvores, ou ficaram presas nos cabos de força nos postes, ou incrustadas na lama das encostas. Pessoas morreram em ônibus, carros e caminhões que foram levados pelas ondas como folhas em um vento forte. Banhistas foram arrastados para o mar.
Em tal ambiente, Einstein precisa dar lugar a Shakespeare. O personagem Gloucester disse: "Como as moscas são para meninos que brincam, somos nós para os deuses. Eles nos matam por esporte".
Qualquer tragédia é terrível para os parentes daqueles que pereceram. Mas esta é uma catástrofe de diferente magnitude. "Isto", como notou um observador, "é como enfrentar o apocalipse".
"O que torna particularmente assustador é o fato de comunidades inteiras terem sido aniquiladas", disse o dr. John Clizbe, um psicólogo de Alexandria, no Estado da Virgínia, que até sua aposentadoria, dois anos atrás, servia como vice-presidente de serviços de desastre na Cruz Vermelha Americana. Ele disse: "Nós sabemos há anos que a devastação emocional que sentem e experimentam os sobreviventes é freqüentemente maior do que a devastação física".
O processo de recuperação é mais fácil, disse ele, quando há o apoio da comunidade para sustentar aqueles que necessitam. Mas em algumas das regiões mais devastadas do Sul da Ásia, as regiões que mais necessitam de apoio, tais comunidades desapareceram.
É uma peculiaridade da tecnologia moderna as pessoas em qualquer parte do mundo poderem se recostar e assistir em tempo real, como voyeurs, os apuros de vida ou morte de seus semelhantes. O planeta está ficando cada vez menor e seus moradores mais interdependentes a cada dia. Nós estamos plenamente cientes de que nossos vizinhos planetários no Sul da Ásia estão desesperadamente extraindo forças dos reservatórios mais profundos de fortaleza e resistência que nossa espécie aflita tem a sua disposição.
O que isto significa é que devemos ser uma comunidade solidária. Todos nós. Esta catástrofe pelo menos representará um fio de esperança se sensibilizar as pessoas nos Estados Unidos e em outros países a adotarem uma postura internacional mais sábia, mais genuinamente cooperativa.
William Faulkner, em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura, disse: "Creio que o ser humano não apenas vai durar, mas prevalecerá. Ele é imortal, não porque apenas ele entre as criaturas conta com uma voz inesgotável, mas porque ele tem uma alma, um espírito capaz de compaixão, sacrifício e resistência".
- Postado por: Crash às 01h27 PM
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Argentina começa a enterrar mortos em incêndio de boate
da Folha Online
A Argentina começou o ano de 2005 de luto. Muitas famílias começaram a enterrar as 177 vítimas de um incêndio em uma boate de Buenos Aires, incluindo crianças e bebês.
Ontem, o governo começou a entregar os corpos às famílias com a ordem de que fossem enterrados, não cremados, devido à investigação criminal.
O incêndio em um show na quinta-feira (30) começou quando uma pessoa soltou um fogo de artifício que deu início ao fogo no teto. Cerca de 4.000 pessoas, a maioria adolescentes, tentaram sair correndo pela porta, mas enfrentaram dificuldades porque quatro das seis portas estavam trancadas, de acordo com informações de autoridades.
O serviço de emergência médica da cidade elevou o número de mortos para 177 ontem, e disse que ao menos 726 pessoas estão recebendo tratamento em hospitais, a maioria por inalação de fumaça.
- Postado por: Crash às 01h23 PM
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