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Economia da AL registra melhor ano desde 1980

Richard Lapper
Em São Paulo


A economia da América Latina está crescendo em 2004 no seu ritmo mais rápido desde antes da crise da dívida nos anos 80, ajudada pelos fortes preços das matérias-primas e a demanda pujante da China.

A Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Celalc) da ONU disse nesta quarta-feira (15/12) que a região se expandirá 5,5% em 2004, um resultado que vai "superar as previsões mais otimistas" e terá seu melhor ano desde 1980. Os números preliminares da Celalc mostram que o crescimento também está à frente da média mundial, apesar de uma fuga de capitais em termos líquidos de quase US$ 20 bilhões.

Isso ocorreu em parte por causa de uma queda das taxas de juros locais e em parte porque os governos aproveitaram o superávit de conta corrente para pagar dívidas em moeda estrangeira.

"Nos últimos anos a região tornou-se menos dependente dos mercados de capital internacionais", disse José Luis Machinea, secretário-geral da Celalc, notando uma queda no nível da dívida externa de 42,8% do PIB em 2003 para 37,2%. O resultado contrasta acentuadamente com a situação no início desta década, quando a América Latina foi atingida por graves crises financeiras e parecia destinada ao tumulto crônico.

Somente dois anos atrás acreditava-se amplamente que o Brasil, a maior economia da América do Sul, acompanharia a Argentina na moratória. Hoje a percepção do mercado do risco político --medido pelo custo relativo dos empréstimos em dólar comparados aos Estados Unidos-- melhorou, com as margens dos títulos próximas de seu menor nível em todos tempos.

A expansão foi incentivada por uma constante melhora na capacidade da América Latina de vender no exterior. Os preços ascendentes das matérias-primas ajudaram, com as condições de negócios --os preços relativos das exportações comparados com o das importações-- melhorando em 5,6% em 2004, comparados com um aumento de 1,3% em 2003.

Mas os volumes das exportações também cresceram, com rendimentos em alta de até 22,4%. Pela primeira vez desde 1997 --e somente pela segunda vez em 20 anos-- o crescimento foi mais rápido que 3% nas seis maiores economias, especialmente na da Argentina (8,2%), Uruguai (12%) e Venezuela (18%), todos emergindo de suas maiores crises financeiras na história moderna.

No entanto, de maneira incomum para a América Latina, a recuperação não foi associada a um rápido aumento das importações, permitindo que a região registrasse seu segundo superávit de conta corrente sucessivo.

O superávit do ano passado foi o primeiro em meio século.

"As empresas estão se habituando a operar em economias mais abertas. Ainda estamos a uma longa distância da experiência asiática, mas houve uma grande mudança estrutural", disse Machinea, um ex-ministro da Economia argentino.

A crescente dependência do Brasil, da Argentina e outros países no sul da região das exportações de matérias-primas para a China poderá ser um problema, mas Machinea disse que depender de uma economia "que cresce 8% a 9% ao ano não é um mau negócio".

Um crescimento mundial menor no próximo ano e preços de matérias-primas mais baixos poderão reduzir o ritmo da expansão para cerca de 4% em 2005, prevê a Celalc, e há o risco de que a região fique vulnerável a qualquer desaceleração rápida no crescimento americano ou chinês, ou a um maior protecionismo. Essa vulnerabilidade salienta a necessidade de aumentar a poupança e o investimento domésticos.

No ano passado, o investimento em capital aumentou, mas os 18,8% de produção econômica que ele representou ainda ficou abaixo da média de 19,6% alcançada nos anos 90.

A região também precisa administrar os superávits comerciais de uma maneira capaz de aumentar a produtividade econômica em longo prazo. A Celalc disse que é "mais importante que nunca" diversificar e manter fundos de estabilização juntamente com os introduzidos por países como o Chile, que levam em conta o ciclo econômico.


- Postado por: Crash às 11h39 PM
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Argentina será "irredutível" em negociações comerciais com Brasil

da France Press

O governo argentino alertou que manterá sua posição "irredutível" nas negociações comerciais com o Brasil, que ameaçam perturbar a cúpula do Mercosul em Ouro Preto (MG) na próxima semana, quando não se espera um acordo sobre salvaguardas nas relações entre ambos os países.

A declaração foi do ministro das Relações Exteriores, Rafael Bielsa, ao afirmar que "encerrou" o esquema de negociações sobre o qual a Argentina "cedeu sem o benefício de um arrolamento de mercadorias".

"Isso terminou não somente em relação ao Brasil, mas também com a União Européia, a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e em qualquer negociação de que a Argentina tome parte", expressou com dureza o chanceler durante entrevista a uma rádio portenha.

"Não é uma questão de parecer simpático ao interlocutor mas de defender firmemente nossos interesses", explicou Bielsa. Ele assegurou que a Argentina vai manter uma posição "irredutível" na negociação para a explicação de salvaguardas a setores ameaçados por importações do Brasil, o principal sócio no Mercosul.

O governo brasileiro rejeita essas medidas por considerar que violentam o espírito do mercado comum.

Volta ao diálogo

As negociações entre os funcionários de ambos os países, que aconteceram na sexta-feira no aristocrático Palácio San Martín d ministério argentino, terminaram após uma jornada intensa de discussões com apenas o compromisso de retomar o diálogo num prazo de 30 dias.

Segundo um comunicado do ministério, as delegações concordaram em reunir-se em um mês para "examinar os projetos apresentados e outras eventuais iniciativas (...) de forma a superar assimetrias e promover o desenvolvimento harmônico e equilibrado de suas partes".

Ambos os governos se comprometeram a "manter consultas ao fim de alcançar soluções para os problemas específicos nas áreas de comércio e investimentos e limitar possíveis efeitos econômicos negativos para ambas as economias, sem prejuízo da preservação das medidas vigentes".

A falta de acordo ameaça o êxito da Cúpula do Mercosul na próxima semana, que pretende relançar o mercado comum do bloco sul-americano.

- Postado por: Crash às 02h13 AM
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