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Ataques rebeldes na capital e no norte do Iraque deixam 14 mortos

da Folha Online

Um carro-bomba explodiu neste sábado ao lado de um ônibus que transportava militantes curdos na cidade de Mossul [360 km ao norte da capital Bagdá], matando ao menos sete pessoas, segundo informações da polícia iraquiana. Outras sete morreram hoje em duas explosões simultâneas em Bagdá.

Os militantes eram ligados à União Patriótica do Curdistão (UPC), um dos dois principais partidos curdos do norte do Iraque, que defendeu a retirada de Saddam Hussein do poder, e é aliado ao governo do primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi. Oito pessoas foram feridas no ataque.

Um contingente de militantes curdos foi levado a Mossul na tentativa de restaurar a ordem na cidade.

Os alvos rebeldes têm se concentrado em policiais iraquianos, soldados americanos, e aliados dos Estados Unidos no Iraque.

Sem controle

Forças da coalizão não conseguem mais manter a segurança em Mossul, terceira maior cidade do país. Rebeldes intensificaram os ataques desde o mês passado, atingindo principalmente as delegacias. Muitos policiais fugiram do local.

Mais de 60 corpos foram encontrados na cidade nas últimas semanas. Acredita-se que a maioria deles pertencia a policiais iraquianos seqüestrados e mortos por insurgentes.

Fontes oficiais do Exército americano dizem que o terrorista jordaniano Abu Mussab al Zarqawi, que mantinha suas operações baseadas em Fallujah [50 km a oeste de Bagdá], considerada um bastião sunita, está agora em Mossul.

Os militares americanos realizaram uma grande ofensiva na cidade sunita, que começou no dia 8 de novembro e teve maior intensidade nas duas primeiras semanas. Muitos rebeldes fugiram para outras partes do país, e se misturaram aos civis.

Bagdá

Ao menos sete pessoas morreram e 57 ficaram feridas depois da explosão simultânea de dois carros-bomba, neste sábado, em Bagdá. O ataque aconteceu perto de um posto policial na Zona Verde [complexo superprotegido que comporta casas de membros do governo iraquiano, além das embaixadas americana e britânica].

Segundo informações da polícia, as explosões aconteceram às 9h30 [4h30 no horário de Brasília], e destruíram 35 veículos, incluindo 17 viaturas policiais. Não está claro, ainda, quantos oficiais morreram.

Depois das explosões, houve troca de tiros entre rebeldes e policiais.

A área ao redor da Zona Verde foi rapidamente isolada por militares americanos e iraquianos após o ataque.

Soldados

Nas últimas 24 horas, mais três soldados americanos foram mortos no Iraque. Um deles morreu, neste sábado, por conta da explosão de uma bomba caseira, no leste de Bagdá. As informações foram divulgadas pelo Exército.

Ontem dois soldados americanos morreram e outros cinco ficaram feridos na explosão de um veículo na fronteira do Iraque com a Jordânia, informou neste sábado um porta-voz militar americano.

Por causa destes ataques, a fronteira entre o Iraque e a Jordânia foi fechada indefinidamente por iniciativa das autoridades iraquianas, anunciou a polícia jordaniana.

A instabilidade crescente no país e a aproximação da eleição iraquiana, prevista para 30 de janeiro, fizeram com que o governo americano decidisse aumentar o seu contingente de soldados no Iraque, passando de 138 mil para 150 mil soldados. A maior preocupação dos oficiais é a resistência sunita que pode apoiar a insurgência.



- Postado por: Crash às 07h56 PM
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Dezenas de feridos no choque de dois trens no sudeste da Itália

Roma, 3 dez (EFE).- Dezenas de pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, no choque na madrugada de hoje, sexta-feira, entre um trem de passageiros e um de mercadorias na província de Taranto, no sudeste da Itália.

Segundo os serviços de emergências, mais de 70 pessoas sofreram contusões leves e foram atendidas no local do fato, enquanto outros seis passageiros foram levados ao hospital, um deles com lesões graves que levaram à amputação de um braço.

O acidente aconteceu quando um trem de passageiros procedente da Calábria (sul) com destino a Turim (noroeste) colidiu com um trem de mercadorias proveniente da cidade meridional de Bari.

As primeiras investigações apontam que o segundo trem não respeitou um sinal de mudança de vias, o que provocou a colisão e o descarrilamento de três vagões do trem de passageiros.

Por enquanto continuam os trabalhos para limpar a via, enquanto o enlace ferroviário entre Bari e Taranto foi interrompido.


- Postado por: Crash às 10h15 PM
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Brasil diz que violará patentes de drogas anti-Aids

Raymond Colitt
Em São Paulo


O governo brasileiro está ameaçando desrespeitar várias patentes de companhias farmacêuticas internacionais para produzir localmente drogas anti-Aids mais baratas. A medida faz parte do antigo programa brasileiro de distribuição gratuita de drogas anti-retrovirais para todos os pacientes infectados pelo HIV. No próximo ano, o país pretende infringir as patentes de até cinco das 15 drogas que utiliza para fabricar seu coquetel anti-Aids.

"Se não avançarmos para a auto-suficiência, o programa vai desmoronar", disse Pedro Chequer, diretor do programa anti-Aids do governo. "É não apenas um compromisso legal, mas sobretudo ético."

Nos últimos três anos, o Brasil ameaçou várias vezes desrespeitar patentes como maneira de negociar reduções de preços com a maioria das companhias farmacêuticas internacionais. Mas até agora não violou qualquer patente. As negociações sobre os contratos de fornecimento para o próximo ano apenas começaram. Os laboratórios dizem que os preços no Brasil já estão entre os mais baixos.

A empresa farmacêutica americana Merck está negociando desde setembro de 2003 a possibilidade de dar ao governo brasileiro uma licença para fabricar e vender sua droga. A companhia suíça de tratamentos de saúde Roche diz que reduziu seu preço em 73% desde que começou a fornecer para o governo brasileiro, vários anos atrás.

Sob os regulamentos da Organização Mundial do Comércio, um país pode emitir uma "licença compulsória" que lhe permita fabricar um produto em caso de emergência ou interesse nacional. A questão tem sido um dos principais gritos de batalha do Brasil nas negociações comerciais com a OMC e nas negociações do Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca), que estão estagnadas há um ano.

Em 1997 o Brasil tornou-se o primeiro país em desenvolvimento a adotar um programa gratuito de drogas anti-retrovirais. Nos primeiros cinco anos esse programa ajudou a diminuir pela metade o número de mortes por Aids no Brasil.

Este ano ele gastou R$ 567 milhões (US$ 209 milhões) e beneficiou 151 mil pacientes. Programas semelhantes foram adotados no ano passado na África do Sul e outros países, em parte com a ajuda do Brasil para montar a fabricação local de drogas genéricas contra Aids. O índice de infecção no Brasil é consideravelmente menor que em muitos outros países em desenvolvimento, especialmente na África.

Órgãos não-governamentais dizem que até 600 mil pessoas de uma população de 180 milhões podem estar infectadas com o vírus HIV sem o saber. Em comparação, a África do Sul tem 5 milhões de pessoas infectadas, ou mais de 11% da população. O Brasil produz alguns remédios genéricos e importa outros. No ano passado, o país refinou seus procedimentos jurídicos para facilitar a importação de versões genéricas de medicamentos.


- Postado por: Crash às 10h01 PM
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Apesar de sua economia, China continua atrasada



Nicholas D. Kristof
Colunista do NYTimes


Durante o último século, o título de "mais importante lugar no mundo" pertenceu aos Estados Unidos, mas parece provável que neste século tal papel se desloque para a China.

Sendo assim, cabe perguntar como são realmente os novos líderes chineses, Hu Jintao e Wen Jiabao? São visionários que administram a maior explosão de riqueza que o mundo já viu? Ou são tiranos impiedosos que perseguem cristãos, seguidores do Falun Gong, líderes trabalhistas e jornalistas, em uma tentativa desesperada de preservar a sua ditadura?

Há evidências que apóiam ambas as possibilidades, e as duas são provavelmente corretas até certo ponto.

Quando Hu e Wen chegaram à cúpula do Partido Comunista há dois anos, muitos chineses esperavam que eles promovessem uma abertura para uma nação que é economicamente dinâmica, mas intelectualmente estagnada. Ao invés disso, a China se tornou mais repressora.

Agora a repressão engoliu um membro da família de The New York Times. Zhao Yan, funcionário do escritório do jornal em Pequim, está detido pelas autoridades chinesas desde setembro sem permissão para se comunicar com a família ou advogados.

Zhao é acusado de vazar segredos de Estado, uma acusação muito séria que pode ser punida com uma década de prisão. O governo da China parece acreditar que ele seja o responsável pela reportagem do chefe do escritório do NYTimes em Pequim, em setembro, que revelou que o ex-líder chinês, Jiang Zemin, estava prestes a se aposentar do seu último cargo formal.

Embora a política do jornal seja, sensatamente, a de nunca fazer comentários sobre as fontes das reportagens, a minha própria investigação particular indica que Zhao não foi a fonte para esse furo. Ele é inocente de tudo, exceto de ser um bom jornalista que, antes de ingressar em The New York Times, escreveu importantes artigos na imprensa chinesa sobre a corrupção.

(Na verdade, colocar jornalistas na cadeia por fazerem o seu trabalho não é um fenômeno exclusivamente chinês. Vários jornalistas norte-americanos - Jim Taricani, da NBC, Judith Miller, deste jornal, e Matthew Cooper, da "Time" - podem ser mandados para prisões norte-americanas nos próximos dois meses por se recusarem a revelar as suas fontes).

O caso de Zhao é tristemente semelhante àquele de outro jornalista chinês, Jiang Weiping. Ele está cumprindo uma sentença de seis anos de prisão por "revelar segredos de Estado", ainda que o seu crime real tenha sido revelar a corrupção do governo.

"A China mudou bastante economicamente, mas não politicamente", me disse Li Yanling, mulher de Jiang Weiping. "Para mim isso é um mistério".

As autoridades ordenaram a Li que nada falasse sobre a prisão do marido, e a prenderam quando ela não cumpriu a ordem. A filha do casal, atualmente com 15 anos, ficou traumatizada após perder primeiro o pai e depois a mãe para o sistema prisional chinês. Quando Li foi finalmente libertada, a filha telefonava para ela constantemente da escola, para se assegurar que a mãe não fora novamente presa.

A prisão de Zhao foi apenas a mais recente em uma grande onda repressiva na China. O Comitê de Proteção aos Jornalistas relata que 42 repórteres estão atualmente detidos em prisões da China, um número maior que o de qualquer outro país.

"Houve um período de abertura, um período de esperança, quando os novos líderes chegaram ao governo", disse Jiao Guobiao, professor de jornalismo da Universidade de Pequim. "Mas agora eles consolidaram o poder, e tudo voltou a se fechar".

Jiao deveria saber. Ele escreveu um ensaio neste ano denunciando a censura, e foi imediatamente censurado. Agora o governo proibiu Jiao de lecionar.

Eu também senti esse esfriamento político. Planejava visitar a China neste mês, mas o governo chinês se recusou a me conceder um visto. Foi a primeira vez que tive um visto recusado. Acho que o Ministério de Segurança de Estado se preocupou com a possibilidade de eu escrever um artigo sobre a prisão injusta de Zhao.

Adoro a China, e compartilho com os seus governantes a antipatia por aqueles que querem prejudicar o país. E é por isso que estou furioso com o fato de as autoridades de linha dura de Pequim estarem apresentando a China ao mundo como um país repressor, frágil, tirânico e atrasado. Eles estão também minando as perspectivas de longo prazo da China ao amordaçarem a população.

Atualmente a China deslumbra os visitantes com arranha-céus luxuosos, hotéis de cinco estrelas e estradas modernas. Esse surto de progresso é real e espetacular, mas para que a China seja uma nação avançada ela precisa não só de espaçonaves, mas também de liberdade.

Caso contrário todo o deslumbre não passará de uma miragem. Os líderes chineses deveriam se lembrar de uma velha expressão camponesa: lu fen dan'r, biaomian'r guang, que significa, "por fora o objeto brilha - assim como o estrume de burro".


- Postado por: Crash às 01h06 AM
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Presidente ucraniano cede e apóia nova eleição

da Folha Online

O presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma, cedeu às manifestações populares e à pressão de organismos internacionais e decidiu apoiar nesta segunda-feira a realização de uma nova eleição presidencial no país depois da denúncia de fraudes.

"Se realmente quisermos preservar a paz e o consenso e construirmos uma sociedade democrática e justa, da qual tanto falamos, mas que não conseguimos fazer de forma legal, que tenhamos eleições", disse Kuchma.

Kuchma apóia o candidato governista, o premiê Viktor Yanukovich, proclamado vencedor das eleições de 21 de novembro.

O candidato liberal Viktor Yushchenko, pró-Ocidente, afirma que houve fraude na eleição e levou dezenas de milhares de pessoas às ruas da capital para contestar o resultado.

Novo pleito

Kuchma disse que não pretende se candidatar no novo pleito e deu a entender que haverá um processo eleitoral totalmente novo, e não uma mera repetição do segundo turno entre Yushchenko e Yanukovich. Yushchenko queria apenas um novo segundo turno.

Mais cedo, Yanukovich já havia aceitado a realização de uma nova votação em duas regiões do leste do país --Donetsk e Luhansk, ambas seus redutos-- caso as denúncias de fraudes generalizadas forem comprovadas.

O leste da Ucrânia é habitado majoritariamente por uma população de idioma russo, que tende a apoiar Yanukovich.

Suprema Corte

A Suprema Corte ucraniana adiou hoje o anúncio do veredicto sobre a validade das eleições presidenciais.

"A corte dá à equipe do primeiro-ministro Viktor Yanukovich até as 10h locais (6h Brasília) desta terça-feira para estudar a situação", declarou o juiz Anatoli Iarema.

Inicialmente, a corte não aceitou a denúncia de Yushchenko, mas na sexta-feira suspendeu a divulgação dos resultados eleitorais, adiando a posse de Yanukovich.


- Postado por: Crash às 07h16 PM
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