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Após eleição, ataque a Fallujah é iminente

DA REDAÇÃO

Três dias após a reeleição de George W. Bush, mais de 10 mil militares dos EUA tomaram posição ao redor de Fallujah, preparando uma ofensiva para desmantelar a insurgência sunita.
"Estamos fazendo os últimos preparativos. Será em breve. Estamos só esperando ordens do premiê [iraquiano, Iyad] Allawi", disse o coronel Michael Shupp.
Após advertir que civis deveriam deixar a cidade, militares americanos atacaram supostos alvos rebeldes e tropas bloquearam estradas. Allawi disse que a janela de oportunidade para uma negociação pacífica "está se fechando".
Insurgentes contra-atacaram, matando um soldado americano e ferindo cinco em um ataque com mísseis. Conflitos em postos de controle perto da cidade também foram relatados.
Caravanas de soldados americanos provenientes de Bagdá e Baquba chegavam a uma base na periferia da cidade nas últimas quatro noites. Na base, onde um necrotério já foi construído e a equipe médica está sendo reforçada, comandantes coordenam planos para invadir a cidade ou isolá-la do Triângulo Sunita.
Fallujah é considerada o bastião da insurgência sunita, que intensificou ataques contra tropas lideradas pelos EUA e seqüestros de estrangeiros nos últimos meses.
Surpreendentemente, uma mensagem atribuída ao grupo de Abu Musab al Zarqawi e postada em um website muçulmano pedia a libertação da refém Margaret Hassan, diretora da organização humanitária Care no Iraque.
Segundo o texto, seus captores devem provar que ela é uma "colaboracionista" ou libertá-la, "para que nossa religião não seja acusada de coisas que não são certas".
Militares americanos realizaram cinco ataques em 12 horas contra alvos ao redor de Fallujah. O ataque foi o mais intenso em meses e fez a cidade toda tremer, disseram habitantes da cidade.
Morteiros explodiram em uma pequena base militar americana em Saqlawiyah, a oeste de Fallujah. Tropas americanas contra-atacaram, matando um "número desconhecido" de insurgentes, afirmou o Exército americano.
Autoridades iraquianas fecharam um posto de controle na fronteira com a Síria, e militares americanos montaram postos de controle em todas as maiores estradas que levam à cidade.
Panfletos e anúncios por alto-falantes, em árabe, aconselhavam mulheres, crianças e civis a deixar a cidade "para sua própria segurança", mas que qualquer homem de menos de 45 anos tentando entrar ou sair da cidade seria preso.
Marines, contudo, atiraram em um veículo civil que não parou em um posto de controle, matando uma mulher iraquiana e ferindo seu marido, segundo o Exército americano e testemunhas.
As testemunhas disseram que o motorista não parou o carro porque não percebeu que havia um posto de controle no local. Mas segundo os marines, "soldados só atiram em veículos como último recurso, quando advertências verbais e visuais fracassam, e esse foi o caso hoje [ontem]".
Em Bruxelas, Allawi disse que a possibilidade de evitar a ofensiva militar está cada vez mais remota. Para que o ataque tenha início, ele deve dar a ordem final.
A ofensiva teria o objetivo de reprimir a insurgência antes da eleição nacional programada para janeiro próximo. Clérigos sunitas, contudo, ameaçaram boicotar a eleição se Fallujah, que fica a 65 km de Bagdá, for atacada.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, advertiu autoridades americanas, britânicas e iraquianas de que uma campanha militar e a "crescente violência" podem pôr as eleições em risco.

- Postado por: Crash às 09h20 PM
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Petrobras diz que nova alta dos combustíveis está perto

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

 O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, indicou ontem que um novo reajuste dos preços da gasolina está próximo. Ele afirmou que a estatal realiza estudos internos sobre a evolução das cotações do mercado internacional e que "esse trabalho estará concluído em uma semana".
 So depois disso, afirmou, é que haverá uma definição sobre o rumo dos preços dos combustíveis. Costa ressaltou que o preço do petróleo caiu cerca de 8% em apenas dois dias (na quarta e na quinta). Segundo ele, a queda fez com que a cotação do óleo não atingisse "um novo patamar" de preços.
 Desde que decidiu subir o preço da gasolina, 15 dias antes do segundo turno das eleições, a Petrobras está sendo bombardeada tanto por especialistas quanto pelo próprio Banco Central.
 É que a Petrobras anunciou no dia 14 reajuste de só 4% na gasolina em suas refinarias. O percentual ficou bem abaixo do esperado por especialistas, que apostam num novo reajuste agora, passado o segundo turno das eleições.
 Na ata de outubro, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) criticou abertamente a estatal, mesmo sem citá-la nominalmente, por ter "protelado" um reajuste que considera inevitável, o que alimentaria expectativas inflacionárias. A ata dizia que um reajuste pode "ser postergado, mas não evitado" -em razão da forte elevação do petróleo no mercado internacional, que se mantém na casa dos US$ 50 o barril.
 Hoje, a defasagem entre os preços do combustíveis no Brasil e as cotações internacionais está na casa de 20%, o que pode representar alta de 10% para a gasolina.
 Ao tomar conhecimento da ata, a Petrobras divulgou no mesmo dia nota afirmando que "a política de preços é de exclusiva responsabilidade da empresa." Num dos trechos mais críticos, chegou a dizer que "a Petrobras não pretende emitir opiniões nem divulgar suas eventuais expectativas sobre as taxas de juros futuras", de responsabilidade do Banco Central.
 Ontem, porém, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, não quis alimentar mais polêmica. "O assunto está encerrado", disse repetidas vezes. Lembrou ainda que, quando senador, defendeu o nome de Henrique Meirelles para chefiar o BC. "Em 2002, fui à Comissão de Economia defender na tribuna o nome do Meirelles. Não tenho nenhum problema com ele."
 Indagado sobre a possível interferência política na definição dos preços dos combustíveis, ele respondeu: "Nós nunca dissemos que teria aumento nem antes nem depois das eleições".
 Ao falar de preço, Dutra foi mais evasivo. Disse apenas que a companhia está analisando o cenário, mas que é impossível fazer previsões sobre a tendência dos preços do petróleo. "Não há novidades. A Petrobras está sempre estudando e acompanhando os preços. Os preços estão caindo e nós estamos acompanhando."
 Dutra evitou fazer projeções sobre o petróleo: "Não tem ninguém ousando fazer previsões. Diziam que iria cair se o Kerry [John, candidato democrata à Presidência dos EUA] ganhasse. O [George W.] Bush [presidente reeleito dos EUA] ganhou, e o óleo caiu. Nem os maiores especialistas estão ousando fazer previsão. Não sou eu quem vai fazer."




- Postado por: Crash às 09h16 PM
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Estado de Arafat é estável, diz porta-voz do hospital

 
 

Iasser Arafat está internado em UTI
O líder palestino Iasser Arafat, 75 anos, está em estado grave e luta pela vida na UTI de um hospital militar francês. Arafat está inconsciente e o funcionamento de seus órgãos vitais foi afetado. O dirigente, há décadas o símbolo máximo da luta dos palestinos para criar um Estado, foi hospitalizado às pressas na semana passada.

Da Reuters

O estado de saúde do presidente palestino, Iasser Arafat, internado em um hospital militar francês, era estável na sexta-feira, disse um porta-voz hospitalar.

"O estado de saúde do presidente Iasser Arafat não piorou. Considera-se que ele esteja estável em comparação ao último boletim (divulgado 24 horas antes)", disse o porta-voz, lendo um breve comunicado a jornalistas reunidos em frente ao hospital.

Na manhã desta sexta, uma enviada palestina afirmou que Arafat está em coma entre a vida e a morte. Alguns dos poderes do presidente palestino já foram transferidos para o primeiro-ministro.

O líder de 75 anos está na unidade de terapia intensiva de um hospital militar francês, mas a natureza exata de sua enfermidade continua desconhecida.

"Hoje podemos dizer que Iasser Arafat, em seu estado de saúde e com sua idade, está em um cruzamento crítico entre a vida e a morte", afirmou à rádio RTL Leila Shahid, enviada palestina permanente a Paris.

"Posso garantir a vocês que ele não teve morte cerebral", disse. "Ele está em coma. Não temos certeza de que tipo, mas ele está em um coma reversível."

Shahid descartou a possibilidade de Arafat renunciar ao cargo de presidente da Autoridade Palestina.

"Não há razão. Por que renunciar? As instituições palestinas contam com um vice-presidente para todos os postos ocupados por Iasser Arafat, e o vice-presidente vai assumir se necessário."

Uma autoridade do alto escalão palestino declarou que o primeiro-ministro Ahmed Qurie, um moderado, havia assumido alguns dos poderes de segurança e na área de finanças.

Arafat não indicou um sucessor e havia relutado anteriormente em ceder quaisquer poderes.

A rede de CNN disse, citando autoridades dos EUA, que Arafat está conectado a aparelhos para sobreviver, mas não houve confirmação independente sobre isso. A TV afirmou ainda que autoridades francesas, egípcias, palestinas e israelenses estavam envolvidas em preparativos para um enterro.

Fontes políticas palestinas e israelenses disseram que Arafat provavelmente seria enterrado em Gaza, porque Israel se recusa a dar um túmulo a ele em Jerusalém.

Na tarde desta quinta-feira (4), o líder palestino chegou a ser dado como morto, fato que foi negado pelo hospital onde ele está internado. "O senhor Arafat não morreu", disse o porta-voz do hospital francês, Christian Estripeau.

Chefes de segurança palestinos foram convocados para uma reunião de emergência no quartel-general de Arafat, em Ramallah (Cisjordânia). Os serviços de segurança palestinos foram postos em estado de alerta em caso de possíveis distúrbios provocados com a morte do líder e, de acordo com o dirigente da Jihad Islâmica, Mohammad Al Hindi, os líderes de 13 movimentos se reuniram para tentar encontrar "uma maneira de evitar o caos".

Caos

A doença de Arafat alimentou temores de que uma situação caótica se instale nos territórios palestinos, palco de um levante iniciado quatro anos atrás. De toda forma, a eventual morte do líder, considerado por Israel e pelos Estados Unidos um obstáculo à paz, mudaria o cenário das negociações no Oriente Médio.

Na terça-feira, os médicos franceses disseram que Arafat estava respondendo ao tratamento. Segundo assessores, porém, o líder palestino poderia continuar no hospital militar, localizado em Paris, por várias semanas.



- Postado por: Crash às 10h06 PM
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Brasil será homenageado em Feira do Livro de Havana

Havana, 2 nov (EFE).- A Feira Internacional do Livro de Havana, que começará em fevereiro de 2005, terá como país homenageado o Brasil e como convidado especial "Dom Quixote", a obra de Miguel de Cervantes Saavedra que completará quatro séculos de publicação.

As homenagens à obra literária de Cervantes foram estipuladas em reunião realizada recentemente em Madri com os ministros da Cultura dos países ibero-americanos e da Guiné Equatorial.

O ano de 2005 foi declarado "Ano Ibero-americano da Cultura" nessa reunião.

O vice-ministro cubano da Cultura, Ismael González, disse que os representantes desses países acordaram ter como "convidado especial" nas feiras do livro de seus países Miguel de Cervantes, como autor e "Don Quixote de la Mancha" como personagem.

A Feira Internacional do Livro de Havana tem como sede principal há vários anos a antiga fortaleza "Morro-Cabaña", ao leste de Havana.



- Postado por: Crash às 03h26 PM
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Iraque desmantelou rede terrorista ao norte de Bagdá

BAAKUBA, Iraque, 2 Nov (AFP) - Uma rede terrorista de 10 membros foi desmantelada nesta terça-feira na região de Moqdayiah (nordeste de Bagdá), segundo uma autoridade da região, que acrescentou que na ação também foram apreendidas muitas armas. A operação foi realizada pela Guarda Nacional iraquiana e no material apreendido há vídeos que mostram o envolvimento do grupo em ataques realizados em Moqdadiyah e Baakuba, assim como em Bagdá, destacou a fonte pedindo para não ser mencionada.

As forças iraquianas descobriram explosivos, foguetes, aparelhos de comunicação e dispositivos de detonação à distância, ainda segundo o informante.

Os 19 detidos, cujas identidades não foram reveladas, seriam provenientes da região e já foram transferidos para serem interrogados.


- Postado por: Crash às 03h22 PM
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Kerry se solta e mostra confiança no último dia

David M. Halbfinger
Em Detroit, Michigan


Agora vai se encerrando sua campanha presidencial de quase dois anos de duração, e ele está na etapa final de viagens antes da eleição, num percurso de 20 horas da Flórida até o Wisconsin, de leste a oeste pelos Grandes Lagos. O senador John Kerry se encontrava no meio do caminho para fazer seu discurso debaixo de chuva na cidade de Milwaukee, quando parou para saudar uma multidão ensopada e destemida.

"Vocês estão aí e parecem maravilhosos, molhados, encasacados e todos aconchegados", ele disse a milhares de democratas do Wisconsin, que sorriam para ele, usando capas impermeáveis e sacos de lixo na cabeça, com cabelos emaranhados e cartazes de Kerry-Edwards agora já desmanchando sobre suas cabeças.

O presidente Bush acabara de fazer um discurso a poucos quarteirões, num ambiente fechado, seco e quentinho, e a carreata de Kerry pôde ser observada do avião presidencial Air Force One, que decolava da cidade enquanto o democrata chegava. E a multidão vista do palanque, na esquina das ruas State e Water --e põe "water" nisso!-- fez com que o senador ficasse repentinamente sentimental, gritando: "Vocês são os melhores!"

Ele depois se dirigiria a Detroit, onde Stevie Wonder iria abrir o comício para ele numa arena lotada de caminhoneiros e metalúrgicos, e depois para Cleveland, onde teria a companhia de Bruce Springsteen. Mas Kerry pareceu mais emocionado em Milwaukee, ao ver a multidão, com seus dedos indicadores apontados para cima, urrando: "Só falta um dia! Só falta um dia!"

Kerry sorriu, captando o entusiasmo: "Inacreditável. Eu digo: podemos estar a apenas um dia da minha eleição, mas eu prometo uma coisa para vocês. Jamais esquecerei esse comício na chuva aqui em Milwaukee. Inacreditáveis, vocês são inacreditáveis!"

De Orlando, na Flórida, para Milwaukee, depois Detroit, Cleveland e Toledo, Ohio, e depois de volta para La Crosse, Wisconsin. Foi assim que Kerry passou as últimas horas de seu último dia antes da eleição que, segundo amigos, ele sonhou disputar a vida inteira.

"Eu ouvi vocês sobre suas lutas, e compartilhei suas esperanças", ele disse à multidão de Milwaukee. "E juntos temos a possibilidade de levar os Estados Unidos adiante, para começar a fazer a diferença nas vidas de tantos milhões de americanos, e no próprio caráter da nação. É isso que está em jogo".

Nesse último dia antes da eleição, ele se cercou da família --as filhas Alexandra e Vanessa ficaram ensopadas junto com ele em Milwaukee, e a irmã de Kerry, Peggy, estava com ele na Flórida.

O estrategista do Partido Democrata, o geralmente evasivo Bob Shrum, disse estar bem convencido de que Kerry iria conquistar a Pensilvânia, e de que o Ohio e a Flórida também estavam se encaminhando para ele.

Quando disseram a Shrum que Karl Rove e outros assessores de Bush estavam contando a história de maneira bem diferente, o estrategista democrata disse: "Eles acreditam que anunciar uma vitória lhes ajuda a vencer". E quando lhe perguntaram se ele não estaria fazendo a mesma coisa, disse: "Eu realmente acredito que iremos vencer".

Kerry pareceu tão à vontade quanto todos ao seu redor, envolvendo as platéias a cada passo, puxando gargalhadas enquanto ironizava a linguagem corporal de Bush nos debates, e se inflamando a cada grito de "Você é o cara, John!" e "Nós amamos você!"

Quando ele disse a milhares de pessoas em Detroit que os três grandes nomes para o atual governo não eram a Ford, a Chrysler e a General Motors (fábricas da cidade), mas sim "Halliburton, Enron e as indústrias farmacêuticas", a multidão vaiou em peso na arena Joe Louis.

"Uau", disse Kerry. "E em vez de vaiar --vocês estão prontos para mudar a situação?" E a platéia deixou claro que o apoiava.

Kerry começou o dia com orações, e foi atraindo votos de boa sorte em cada parada do dia. Depois de assistir à missa numa igreja católica apostólica romana em Orlando, ele ganhou um longo abraço de um amigo de longa data: William Zaladonis, membro de seu esquadrão naval no Vietnam, que já há alguns meses está em campanha para o candidato democrata.

Após um rápido discurso para uma pequena multidão --feito, na verdade, para as câmeras dos noticiários das televisões locais-- Kerry deixou a Flórida pela última vez antes da eleição.

Em Milwaukee, com o boné do time de beisebol Red Sox enterrado na cabeça, Kerry agradeceu ao time Green Bay Packers por ter derrotado os Redskins em Washington no domingo, arriscando uma profecia:

"Em toda eleição presidencial desde 1936, quando os Redskins perdem o presidente em exercício também perde". Milhares de partidários gritaram, e ele então disse: "Eu quero agradecer os Packers e Wisconsin pela ajuda".

E em Detroit, ele pegou um cartaz feito a mão, onde estava escrito "As crianças do Nick escolhem Kerry por 57%", e disse que a pesquisa feita entre as crianças pelo canal a cabo Nickelodeon "nunca errou".

Mas foi mesmo em Milwaukee que Kerry pareceu mais relaxado, com aquele típico humor auto-depreciativo, mais satisfeito e grato por ter feito uma longa jornada, que enfim estava se aproximando do final. E até ameaçou fazer um daqueles seus discursos bem estridentes. Se não fosse pela chuva, ele poderia estar com um olhar meio embaçado.

"Esse é uma espécie de momento mágico, que vivemos nas últimas horas que antecedem um dos dons mais abençoados que temos sobre a face do nosso planeta: nossa democracia; o seu voto. Vocês têm a possibilidade de escolher e de mudar a direção da nossa nação. Amanhã, a escolha de toda uma geração estará lá naquela cédula".

Na rua, Alissa Gonyea, 33 anos, professora num jardim de infância, protegia da chuva seu sobrinho, Connor Erickson, 8 anos.

"Esse é o nosso terceiro comício de Kerry", ela disse, deixando claro que Connor é que é o grande fã de Kerry na família. "Brincando de Halloween, ontem ele se recusou a pedir doces em casas que tinham cartazes pró-Bush. E dizia: 'Eu não quero o doce deles'".

Connor não disse nada, mas sorriu com vontade.


- Postado por: Crash às 03h17 PM
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Educação inova, mas sem avaliar aprendizado

LAURA CAPRIGLIONE
SÍLVIA CORRÊA
DA REPORTAGEM LOCAL

A prefeita Marta Suplicy (PT) encerra seu mandato sem que a educação municipal, marcada por projetos caros e ambiciosos, preste contas à sociedade sobre o aprendizado dos alunos acerca dos conteúdos formais.
O único estudo disponível sobre o desempenho de estudantes do ensino básico é feito de dois em dois anos pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação. Em 2003, ele apontou deficiências graves em português e matemática no país, mas o tamanho da amostra não permite isolar o dado da rede municipal.
Sem a informação, o parâmetro qualitativo de ensino não é considerado na Gratificação de Desenvolvimento Educacional -um bônus anual de produtividade paga aos professores da rede.
Segundo a própria secretária municipal da Educação, Maria Aparecida Perez, o bônus não leva em conta a aquisição de conhecimentos formais, mas a evasão escolar, as faltas dos professores, a fixação de funcionários à escola, o número de projetos especiais e a participação da comunidade na vida escolar. Nada sobre o principal: o aprendizado dos alunos.
O buraco negro contrasta com outras tantas iniciativas adotadas por um governo que aliou programas de forte apelo publicitário a políticas que, de fato, mudaram para melhor o panorama do setor.
Ampliaram-se as vagas. Dotou-se a cidade de um sistema público de transporte escolar que atende 107,2 mil alunos. Os estudantes ganharam uniformes e material. A rede incorporou refeições à merenda de 790 mil alunos.
Com tudo isso, as taxas de evasão, um dos principais indicadores de qualquer política educacional, caíram de 2,15% em 2000 para 1,1% dos alunos no ano passado. No mesmo período, os índices nas escolas do Estado instaladas na cidade foram de 5% para 3,4%.
Os dados empurram ao desuso as críticas sobre o caráter assistencialista das ações. "O que evoluiu foi a compreensão do significado de acesso e permanência. O poder público assumiu que transporte, material, suplementação de renda são condição de sustentabilidade de algumas crianças na escola", avalia Maria Sílvia Bonini, 57, do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).
O projeto mais vistoso são os já conhecidos CEUs (Centros Educacionais Unificados): 21 unidades nos bolsões de pobreza, com piscina, quadra etc. Cada um custou R$ 17 milhões. Juntos, atendem em sala de aula 52,5 mil dos 945,4 mil alunos da rede -30 mil deles seguem em 50 escolas de lata. O contraste gera polêmica.
"O apelo publicitário dos CEUs centra-se em insumos, estrutura. Mas há estudos que mostram que, se invisto nos insumos e não invisto em processos, o impacto na qualidade não é forte. Aí eu só tenho uma escola modernosa", diz Lourdes Marcelino Machado, 63, doutora em educação e vice-presidente para o Sudeste da Anpae (Associação Nacional de Política e Administração da Educação).
"Um projeto mais modesto, que tivesse abrangência maior, seria melhor do ponto de vista pedagógico, educativo e técnico", completa João Cardoso Palma Filho, 60, diretor do Instituo de Artes da Unesp e coordenador do Pedagogia Cidadã, programa de formação de professores de 1ª à 4ª série.
A secretária de Educação rebate. "Os CEUs foram planejados para atender também o entorno. Não precisaremos construir teatros e piscinas em todas as escolas."
Até julho, os CEUs foram usados por 500 mil crianças de outras escolas e cerca de um milhão de moradores do entorno.
"O CEU é uma experiência paradigmática importante. Criou-se um padrão de qualidade. Agora todo mundo quer CEU. No fundo, quando o poder público cria uma escola melhor, isso é um problema para ele mesmo, mas tem de fazer", avalia o sociólogo Cesar Callegari, 51, presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.



- Postado por: Crash às 11h13 PM
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Brasil deve pôr em debate fome e Haiti em reunião do Grupo do Rio

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Na próxima semana, dos dias 2 a 5, os chefes de Estado de pelo menos 11 países latino-americanos e caribenhos vão se encontrar no Rio de Janeiro para a cúpula do Grupo do Rio, na qual discutirão temas internacionais. Na agenda oficial, há dois assuntos de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o Haiti e o projeto de combate a fome mundial.
Criado em 1986, o Grupo do Rio congrega 18 países e um representante da Comunidade do Caribe. Um objetivo do grupo é permitir a coordenação de posições latino-americanas e caribenhas.
Para Lula, será outra oportunidade de buscar apoio para a proposta de um fundo internacional pelo combate à fome. "É um momento para mostrar que o tema segue com interesse do Brasil", diz Marcelo Vasconcelos, coordenador nacional do país no grupo.
Quando as discussões se voltarem para a situação no Haiti, Lula pedirá mais apoio dos vizinhos. O Brasil lidera a força de paz da Organização das Nações Unidas que busca estabilizar o Haiti.
O presidente poderá também insistir na proposta de criar um mecanismo formal de diálogo entre Cuba e o Grupo do Rio.
Lula deve aproveitar a oportunidade para se encontrar privadamente com o seu colega boliviano, Carlos Mesa.
O governo brasileiro e a Petrobras estão preocupados com uma nova legislação para o setor energético do vizinho, que poderá trazer prejuízos para a estatal brasileira na Bolívia. Ainda está no Congresso, a lei poderia retirar a concessão da Petrobras para a exploração de gás e aumentar o valor de royalties e impostos

- Postado por: Crash às 11h11 PM
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Opportunity nega vínculo com espionagem da Kroll

Jamil Bittar/Reuters
Policiais federais transportam documentos da Kroll apreendidos durante a Operação Chacal, que são embarcados para Brasília


ANDRÉA MICHAEL
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, diz que seu cliente não conhece as razões que levaram a Polícia Federal e o Ministério Público a pedir e a Justiça a autorizar o cumprimento de mandados de busca em sua residência e na sede de seu banco, o Opportunity, no Rio de Janeiro.
A afirmação é de Nélio Machado, que defende os interesses do banqueiro: "Estou tendo que advogar com base em suposições. Daniel Dantas desconhece os motivos que o tornaram alvo de um mandado de busca e apreensão. Se me dissessem, eu não acreditaria. Mas estive pessoalmente no cartório e me foi informado que os autos estavam com o Ministério Público, mas que tinha sido determinado o retorno. E que só teríamos vistas do processo na quarta-feira", declarou.
Segundo o advogado, o mandado, deferido pelo juiz substituto da 5ª Vara Federal de São Paulo, Luiz Renato de Oliveira, em 20 de outubro, é vago, se limita a fazer referências a artigos da lei e não traz o que seria essencial: "o fato e o motivo que o justificariam".
Machado deu entrevista à Folha ontem à tarde, da qual também participou Amália Coutrim, diretora da CVC Opportunity, parte do grupo comandado por Dantas.
Coutrim estava na manhã de quarta na sede do Opportunity, um dos 16 alvos da Operação Chacal, na qual a PF apreendeu documentos e equipamentos do banco, da Brasil Telecom e da Kroll. A Brasil Telecom, que é controlada pelo Opportunity, contratou a Kroll para espionar a Italia Telecom, com a qual tem ferrenhas disputas judiciais.
Segundo Coutrim e Machado, o Opportunity não teve participação na contratação da Kroll, ato atribuído à Brasil Telecom, devido as prejuízos que teria sofrido devido às disputas com o grupo italiano. "Não tenho notícia de que isso tenha sido determinado pelo Opportunity. Agora, se [o banco] tomou conhecimento, no mínimo, posteriormente, sim", disse Machado, que recomendou a Dantas o silêncio por ora.
A grande preocupação do Opportunity é manter o sigilo absoluto das operações de seus clientes, conteúdo que está em poder da PF (o arquivo central do banco no Rio foi apreendido) e está sendo analisado em Brasília. A perícia dos computadores do Opportunity pode abrir, na avaliação de delegados, novos flancos na investigação, caso sejam identificadas remessas ilegais para o exterior ou deslizes fiscais. Por isso a PF pediu o auxílio de técnicos do Banco Central e da Receita.
Na próxima semana, Dantas e Carla Cicco, presidente da Brasil Telecom (formalmente responsável pelo contrato com a Kroll), serão intimados para para prestar depoimento. Ontem, a PF colheu, por cinco horas, o depoimento do empresário Luiz Roberto Demarco, ex-sócio e hoje inimigo de Dantas. Demarco se apresentou na condição de convidado.
A PF se baseia no material apreendido na sede da Kroll em São Paulo para afirmar que a empresa teria capacidade para realizar grampos. Em nota divulgada ontem, a Kroll diz que os aparelhos servem para varrer ambientes em busca de equipamentos de escuta.

Justiça
A juíza plantonista da Justiça Federal Sílvia Rocha decidiu ontem aguardar o resultado de uma perícia nos equipamentos apreendidos pela Polícia Federal na sede da Kroll, em São Paulo, para então resolver se mandará soltar ou não os cinco funcionários da empresa presos na última quarta-feira pela PF.
A juíza analisou um pedido de relaxamento da prisão dos funcionários. Não há prazo para a perícia, que deve ser feita no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, ser concluída. Os funcionários da Kroll estão presos na custódia da PF, em São Paulo. A PF decidiu prendê-los após localizar equipamentos que supostamente podem ser usados para interceptações telefônicas. Eles foram acusados de "formação de quadrilha ou bando".
O advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que defende os funcionários, disse que tentará reverter a decisão da juíza na próxima quarta: "O flagrante foi absolutamente inexistente, fora de qualquer parâmetro jurídico".
O advogado do investigador da Kroll Tiago Verdial, Eduardo Carnelós, disse que até ontem, passados quase quatro meses desde a primeira operação de busca e apreensão contra seu cliente, não havia tido acesso aos autos na Justiça Federal. A casa de Verdial, no Rio de Janeiro, voltou a ser alvo de uma operação de busca e apreensão na última quarta-feira.



- Postado por: Crash às 11h09 PM
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Bush tentou impedir divulgação de vídeo com Bin Laden

da France Presse

A transmissão do vídeo de Osama Bin Laden pela rede de TV Al Jazira, ligada ao governo do Catar, causou mais um desentendimento com as autoridades norte-americanas, que tentaram impedir sua divulgação.

Segundo um membro do Departamento de Estado, que pediu anonimato, a administração de George W. Bush, em plena campanha presidencial, interveio para impedir a transmissão do vídeo no qual o chefe da Al Qaeda dirige-se diretamente ao povo americano, em uma aparente tentativa de influenciar na eleição.

A Al Jazira, silenciada no Iraque, onde as autoridades fecharam seus escritórios em agosto, alegando que era necessário para "proteger o povo iraquiano", decidiu abrir espaço para Bin Laden novamente. Em conseqüência, vários canais de televisão, inclusive alguns americanos, divulgaram trechos do vídeo.

"A Al Jazira se tornou conhecida como um canal de notícias independente. Temos lutado muito para consegui-lo e vamos continuar lutando por nossa independência. Somos um órgão de informação independente, com uma linha editorial completamente independente", declarou neste sábado um porta-voz da Al Jazira, Yihad Ballut.

Ainda que tenha se negado a explicar como teve acesso ao vídeo, ele afirmou que a direção da TV não foi pressionada e disse ignorar possíveis contatos de Washington com autoridades catarianas.

A Al Jazira, criada em 1996, é muito vista no mundo árabe desde que se destacou por sua cobertura quase exclusiva dos primeiros dias da guerra no Afeganistão, no final de 2001, e por transmitir vídeos de Bin Laden.

Pelo mesmo motivo, é alvo de críticas do governo americano, segundo o qual seu modo de informar sobre o Iraque e Oriente Médio incentivam um sentimento antiamericano.

O secretário de Estado Colin Powell convocou a Al Jazira a modificar sua cobertura ao se encontrar com o chefe da diplomacia do Catar, Hamad ben Jasem al Thani, em abril. Deu a entender que o canal estava prejudicando as relações com Doha.

Entretanto, a Al Jazira não está disposta a ceder às exigências dos Estados Unidos, ainda que na sexta-feira não tenha transmitido o vídeo todo, mas apenas fragmentos.



- Postado por: Crash às 12h46 AM
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